ENTREVISTA COM TIMELESS MIRACLE


      Vêm da Suécia, são um quarteto, têm apenas quatro anos de trabalho mais à séria e apresentam uma estreia muito bem conseguida de power speed metal, que mistura folk e clássica com grandes melodias e muitas fantasias. O nosso correspondente em Portugal, José Manuel Marques conversou com o guitarrista/ teclista do TIMELESS MIRACLE, Fredrik Nilsson, há cerca deste Into the Enchanted Chamber , que é baseado em estórias de horror.

      Sendo uma banda relativamente nova, contem-nos como tudo começou?

      Fredrik Nilsson:
Bem, no final de 1995 eu esbocei uma pequena canção para ser interpretada com um amigo meu baterista - Kim… isto já remonta há uns anitos atrás. Como tudo correu bem, começamos a pensar em formar uma banda, mas nada de coisa muito séria. Queria uma formação para fugir da rotina e para me soltar dos meus próprios espíritos, no fundo, passar um bocado de tempo num mundo que adorava e ainda adoro, o da música. Os restantes elementos foram aparecendo normalmente, nada de muito complicado. Sei que, quando estávamos todos a falar sobre os nossos gostos, deparamo-nos com uma curiosidade, todos éramos fãs dos germânicos Rage. A partir daqui arrancamos em forma de trio também: um vocalista baixista, um guitarrista e um excelente baterista que dominava o duplo bombo como poucos o sabem fazer. Depois de alguns ensaios começam a aparecer as primeiras músicas e, consequentemente, os primeiros concertos. Tudo parecia correr de feição, mas o line-up começa a sofrer as habituais e inevitáveis transformações – sai um, entra outro… Coisas que, como sabes, acontece com quase todas a bandas e por diversas razões. O que realmente importa, é que nunca baixamos os braços e lutamos sempre para irmos na direcção correcta com a malta certa. Já tenho uns anos nestas coisas, mas com esta formação e com este nome, de facto, somos relativamente novos nestas andanças mais à séria. Posso dizer que até tivemos muita sorte, porque com uma só demonstração em demo assinamos logo dois contratos discográficos.

      Dois? Pensei que só tinham assinado com a Massacre?

      
Fredrik Nilsson: Sim dois. Um com a referida editora alemã e outro com Marquee/ Avalon, para o mercado japonês. É um enorme orgulho para nós termos conseguido tudo isto de forma tão rápida. Temos que reconhecer - também aproveitamos para agradecer - que as ligações que tivemos com a RoastingHouse nos ajudou imenso. Nunca teríamos alcançado tudo isto se esta pequena casa não tivesse mostrado aos vários cantos do mundo aquilo que fazemos.

      Como é que se processou a composição deste álbum?

      
Fredrik Nilsson: Na maior parte das vezes, eu e o Mikael [Holst – voz e baixo] é que escrevemos e compomos. Depois, apresentamos os rascunhos aos restantes elementos da banda, para que estes – em conjunto connosco – opinem e trabalhem naquilo que poderá vir a ser mais uma música dos TIMELESS MIRACLE. Actualmente até estamos a mudar um pouco o processo. Antes começávamos com umas cenas de guitarra, agora estamos a virar-nos para umas descobertas sonoras a partir dos teclados, que juntamente com a voz e restantes instrumentos nos levam à espinha dorsal do tema. É óbvio que, por vezes, muita coisa muda, mas os rabiscos de cada malha nossa está, neste momento, a começar desta maneira.

CONHEÇA MAIS O TIMELESS MIRACLE

DISCOGRAFIA OFICIAL

Into the Enchanted Chamber (2005)

      Quem são forças motrizes deste álbum conceptual?

      
Fredrik Nilsson: Yeah! Bem visto, estamos perante um trabalho conceptual. Como reparaste, todos os temas se encaixam uns nos outros, para que o próprio conceito não se perca nem deixe de fazer sentido. As nossas forças estão todas centradas num tipo de tema de filmes de horror clássico, com bruxas, vampiros e todos os mais diversos materiais que envolve essa temática. Como até o próprio Mikael é um grande fã de filmes de terror, a sua escrita e a sua voz encaixaram quem nem uma luva.
      
       O som do vosso speed power metal deixa sair uns acentuados aromas de folklore, de clássico…

      
Fredrik Nilsson: Nem mais! Nós sentimos que o som clássico e os aspectos mais virados para o folk exaltam muito bem a nossa música - e de uma maneira geral toda a própria música. Sabes, são aspectos que fazem mostrar um bom trabalho e trazem obrigatoriamente mais substância para as letras.

      Realmente estamos perante grandiosas melodias cheias de fantasias!

      
Fredrik Nilsson: Sempre, mas sempre, tivemos as melodias como prioridade de topo em todos os aspectos de nossas canções. Não importa qual a parte que está a ser salientada no decorrer da própria música. Seja ela a vocal, a de guitarra ou a de teclados, algum tipo de melodia está e estará sempre presente.

      Into The Enchanted Chamber foi produzido por um senhor [Anders “Theo” Theander] que já trabalhou com nomes bem sonantes, como são os MAJESTIC, PAIN OF SALVATION e os LAST TRIBE. Até que ponto é que foi assim tão importante e lucrativo trabalhar com ele?

      
Fredrik Nilsson: Em todos os pontos foi bom trabalhar com alguém tão profissional e tão entendido em matéria de estúdio. Sempre dissemos que teríamos de trabalhar com o “Theo” para obtermos um álbum muito forte, e o resultado – penso eu – está bem patente. Quero dizer mais uma vez que contamos com a ajuda dos grandes profissionais da RoastingHouse para esta fabricação.

      Pelos vários artigos de imprensa que tenho lido sobre vocês, fiquei com a sensação que o mercado japonês é um dos vossos alvos preferenciais?

      
Fredrik Nilsson: Bem, não posso dizer que concordo inteiramente com isso. Nós não temos todas as atenções viradas para o outro lado, é lógico que também nos preocupamos com o mercado europeu. Todo o metalhead que gosta da nossa música é nosso amigo, seja ele de que país, raça ou continente for.

      Podemos afirmar que o som que aqui se ouve é o resultado de uma combinação perfeita dos vossos gostos mais pessoais?

      
Fredrik Nilsson: Sem dúvida alguma que isso poderá ser dito. Embora tentamos compor, escrever e tocar a música que surge de uma forma espontânea e natural de dentro de nós, é-nos muito difícil por vezes sermos originais e não nos deixarmos embarcar por certas influências. Penso que qualquer banda tem este pequeno problema, nenhuma é original a 100%. De uma forma ou de outra existe sempre qualquer coisa de dejá vu.


Por José Manuel Marques
Portugal, 17/08/2005